quinta-feira, 14 de abril de 2011

Vamos brincar de Cambindas!


“Ribeirão, meu Ribeirão teus lindos canaviais nos trouxeram de bem longe e não voltamos jamais...”. Em 2011 uma peculiar festa da cidade de Ribeirão (Mata Sul de Pernambuco) completa cem anos, a tradição das cambindas é mais antiga que a própria cidade e era festejada quando esta ainda era distrito da cidade vizinha de Gameleira.
            A brincadeira das Tradicionais cambindas de Ribeirão é mais uma das mais variadas festas iniciadas na república que relembram os tempos da monarquia, com a presença de um rei e uma rainha, e da escravidão com os participantes se pintando de negros e revivendo através da dança e das letras da música, essa raiz africana pertencente a nós brasileiros.


            A brincadeira se fez e se perpetuou por um bom tempo como brincadeira de homens, a partir da liberação feminina e a quebra de antigos preconceitos as mulheres passam a participar da brincadeira e tomam voz e vez, levando a tradição à diante.
            A cidade se orgulha por essa tradição e espera que esta, não se perca e que se possa muitas vezes se cantar: “Todo mundo já dizia que as cambindas não saia.....”  

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A ditadura do mal gosto

Poucos momentos da história a humanidade ocidental foi tão entregue ao mau gosto e a burrice generalizada, a alienação e o impedimento da verdadeira liberdade de expressão, é sim a liberdade de expressão existe só na constituição, na prática é impraticável, a máquina obscura instituiu nos corações e mentes da população um próprio aparelho de censura, a ditadura militar criou e extinguiu o AI 5, mas a verdade é que os brasileiros censuram cada vez mais obras libertárias e se vendem aos best-sellers norte-americanos, pré-produzidos, sem falar nessa generalização de padrões de gosto que excluem cada vez mais do cenário a autenticidade de obras e obriguem os autores a (re) significarem seus estilos colocando-os numa “vibe” mais “moderna”.

Principalmente no Brasil a ditadura do mau gosto anda de mãos dadas ao período de redemocratização pós golpe militar, a conjuntura externa com a máquina de produção americana querendo vender nos países emergentes, e nós aqui querendo parecer mais um pouquinho com o Tio Sam foi juntar o útil ao agradável, a sociedade brasileira precisa de uma identidade nacional forte, que não se limite à carnaval, samba, futebol e bundas, trabalhar para a construção de uma identidade nacional séria à nível de país respeitável, e não como um qualquer ponto de turismo sexual nos trópicos, é de responsabilidade de nós historiadores e também da opinião pública, caminhando juntos historiadores e opinião pública traremos para o mundo as várias identidades regionais riquíssimas que faz do Brasil um caldeirão cultural efervescente e independente.



Precisamos ser independentes.....

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Religiões Afro: Cultura e identidade

Não faz nem um mês que eu fui convidado para participar de uma reunião de candomblecistas num terreiro chamado palácio de Oxum, fui despido de preconceitos, afinal para um quase ateu, estudante de história, assistir a uma reunião como essa é um desafio a mais, é conhecer novos horizontes, deparar que existem culturas a parte dessa vida semi-européia que tentamos viver, imitamos a Europa e não vemos as riquezas existentes em outras denominações, tanto culturais, como religiosas.

Os sons dos Ogans, a fumaça produzida pelos cigarros e charutos, além das roupas e das cantorias, recriaram na minha mente retrospectivas do passado em que o Brasil era rural e o candomblé se encorpava com o sincretismo com os credos religiosos católicos, o processo de urbanização, principalmente a partir da década 50 na zona da mata pernambucana, levou os adeptos dessas religiões afro-descendentes para a cidade e seu culto conseguisse mais adeptos, além daqueles antigos trabalhadores rurais.

Um fato peculiar dessas “realidades culturais paralelas”, que convivem com a oficialidade é que elas (re) significam as tradições “alheias” para o seu contexto isso é a parte que mais me intriga, particularmente nas religiões afro, como nasce essa ideia de intercâmbio cultural, afinal, como nascem as religiões? Grandes mistérios.

Outro fator que eu não poderia deixar de elencar era o sentimento de pertencimento à comunidade, a uma luta contra os preconceitos, que ainda persistem em existir (é parte da alma humana, infelizmente) e a luta para não deixar as festas e as tradições desaparecerem, mesmo lutando, contra as leis ( é proibido som alto a partir das 10h, e isso gera muito problemas já que muitas festas começam a partir das 10h ), e contra toda a sorte de infortúnios que essas pessoas sofrem por assumir suas crenças.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

O show da Vida

Eu tenho vivido diversos momentos nessa caminhada rumo à profissão de historiador, e hoje principalmente, dia seis de dezembro, eu vi o quanto nossa análise crítica é válida para a sociedade, hoje assistimos a um filme que nosso professor de introdução 2 Antônio Paulo Rezende passou que e tão banal para os telespectadores, mas que pela perspectiva do estudante de história se faz diferente.

The Truman Show, é uma reflexão de vários aspectos de nossa vida, um filme de 1998, mostra as apreensões e conflitos éticos de uma nova realidade no mundo televisivo, os reality shows. Até onde as liberdades individuais não são totalmente retraídas em função do divertimento e envolvimento do público.

O filme é o reflexo de uma sociedade carente de heróis, que vê na simplicidade de pessoas comuns atos que revelam a nobreza do espírito humano, o homem moderno precisa de referenciais, mesmo que eles sejam forjados.

Uma análise profunda pode também ser feita entre a relação do diretor Christof e o personagem do Jim Carrey, o Truman, uma relação de controle e edicação absoluta, e isso me faz uma certa analogia com o deus cristão que manipula as situações para que nada saia do controle, porém o homem transgride. A transgrção é um grande motor da história, sem ela estariamos comendo raízes e catando nossos pares nas savanas africanas, nos transgredimos, e isso é bom.

O filme é emocionante por que de uma ideia, que é praticamente impraticável, até agora, que é de formar um mundo comandado pela cabeça de uma só pessoa, porém à partir desse fato se desenrolam elementos totalmente humanos, que nos fazem refletir sobre nossas vidas e atuações na sociedade.Nos somos agentes da história, e principalmente agentes da nossa própria vida.

Existe uma porta além das possibilidades...

sábado, 4 de dezembro de 2010

A era das minorias na política da América

Quando pensei nesse blog, a primeira ideia que me veio na cabeça era a de perpassar a minha forma de escrever sobre assuntos de história que eu gosto. Porém , eu tive ao longo desses dias um longo questionamento individual do que é história, então alguns, será que é algo que se perdeu no passado, ou somos agentes construtores da história? Foi pensando nisso que eu a partir de agora também abordarei temas recentes, que mesmo estando hoje nos noticiários, algum dia no futuro os historiadores vão ver esses fatos como acontecimentos pretéritos.

E nada melhor do que começar falando de um assunto que enche os olhos de historiadores e de todo o pessoal das ciências moles, que é política. Tem coisa mais fascinante do que esse jogo de intrigas, coligações, ideologias, militâncias. A política de modo geral é a religião cívica, que uns tanto amam e outros sentem repulsa, ódio e certo nível de decepção, a corrupção e os escândalos tiram de jogo as pessoas boas e com princípios e deixam no jogo político as velhas raposas das velhas oligarquias sem escrúpulos.

Algo vem mudando, principalmente na América latina após as ditaduras militares e os governos direitistas. A ascensão de uma nova classe política, que vêm cada vez mais buscando a hegemonia política. Hegemonia vêm do grego eghestai, que significa conduzir, liderar, comandar, ter o controle. Nesse país as grandes forças hegemônicas sempre foram os grandes proprietários, políticos, profissionais liberais e intelectuais. Agora outros grupos estão conseguindo com êxito a busca pela hegemonia política.

Plantadores de coca e indígenas ( Evo Morales ), Militares ( Hugo Chaves ), operários ( Lula ) e mulheres ( Dilma, Michele Bachelet, Cristina Kirchner ) e o primeiro negro eleito presidente nos EUA ( Obama ), mostram que o eleitorado cansou das mesmas caras no trato político. É importante ressaltar que o termo ‘minorias’ não se retrata à alguma referência numérica e sim à representação política.

As minorias são mais atenciosas no que tange ao social, porém é visível que não se realizaram mudanças profundas nas estruturas sociais, como foram as principais bandeiras de campanha dos partidos de esquerda que conseguiram chegar ao poder. Para conseguir a hegemonia foi preciso fazer aliança com as mesmas oligarquias que comandavam a América latina, e as grandes revoluções não estão passando de uma série de pequenas melhorias que estão garantindo essas novas caras no poder, ou que eles elejam sucessores, e tudo acaba sendo um grande jogo de interesses que deixa quem realmente precisa da política ( O POVO ) a margem do sistema achando que está sendo representado por alguém. 

domingo, 28 de novembro de 2010

“PADRE CÍCERO APARECEU”: FÉ E RELIGIOSIDADE EM RIBEIRÃO NA MATA-SUL DE PERNAMBUCO (1983 – 2010*)






Dia 25 de outubro1983, foi um dia especial na formação da identidade de uma pequena cidade no interior da zona da mata de Pernambucochamada Ribeirão, um visitante ilustre apareceu envolto à folhas de uma palmeira, a aparição de Padre Cícero comoveu toda uma cidade para a construção de uma Igreja em sua homenagem, a capela de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro.


Eu pude entender mais um pouco dessa história de fé na pessoa do padre Cícero Romão, quando paguei uma cadeira de problemas da história do Nordeste com o professor Severino (Biu) Vicente na universidade federal de Pernambuco, e o meu agnosticismo que em parte nasceu da minha própria análise critica do mundo, e em outra com as leituras contestadoras que os historiadores tanto gostam, teve que abrir um pouco de espaço para poder entender o que aconteceu à tanto tempo atrás que ainda reúne pessoas em procissão para louvar o padre tão polêmico.

Minha avó é devota do padre, e muito antes de pensar em ser historiador, eu já tinha conversado com ela sobre esse assunto, ela sempre passava horas dizendo o quanto ela tinha achado a aparição a coisa mais linda que ela já tinha visto.

Era mais ou menos umas seis horas quando ele apareceu, num lugar chamado toca da onça, com seu chapéu, sua bengala, existe relatos de pessoas que viram até os botões de sua batina. Exposto pra toda a população, porém existem pessoas que dizem que não o viram, enquanto outras viram, sendo entre elas pessoas devotas ou não.

Esse é o grade mistério da aparição de Ribeirão, se realmente foi de caráter místicos, ou se as leis da física óptica e da psicologia explicam os acontecimentos, ah sim já ia me esquecendo, a palmeira palco da aparição morreu ao ser transportada para o local da construção da Igreja, e foi plantada outra no local.

Ao construir esse trabalho me deu a sensação de realmente estar contribuindo para a manutenção e preservação da memória da minha cidade natal, porém esse trabalho deixou um gosto de quero mais, e não deixei por satisfeito, o trabalho continua...

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O golpe de 64 e o reflexo no Recife

Eram aproximadamente umas dez horas da manhã, quando se começara no centro do Recife um grande multidão agitada com a notícia de uma eminente revolução oriunda das classes mais abastadas das sociedades civis, militares e religiosas. Essa população apavorada com a história de uma revolução dos militares sem saber os reais motivos desse fato encarou as ruas do Recife como verdadeiras pistas de corridas e de aglomeração de curiosos.


Os desfiles de tanques de guerra, carros blindados e soldados marchando rumo a pontos estratégicos da cidade intimidavam a população que estava a parte do processo político que se firmava. Jango caíra, por quê? A população simples não sabia, e não lhe fazia falta saber disso.

Os protestos dos estudantes ligados principalmente ao partido comunista, refletiram em algumas mortes e tentativas de assassinato assim como prisões de políticos de esquerda.

A população corria por onde não tinha fortificações militares, evitavam ir em direção ao quartel do Derby, o Forte das Cinco Pontas, o forte do Brum e o palácio do governo que estava fortemente cercado pronto para depor o governador Miguel Arraes e a entrada para o Recife Antigo também foram fechados, só restou para a população seguir em direção a rua dos martírios – onde hoje, em parte, é a Dantas Barreto - e suas colaterais que seguiam para outros pontos da cidade com uma fiscalização militar menor, e seguir para as suas casas ouvir o repórter Esso para saber o que estava acontecendo.

E assim começava mais uma página da história recente do nosso amado Brasil, a dominação pelo terror e pelos instrumentos e de repressão, assim como o falso moralismo imposto de cima para baixo como uma forma de dominação social.