segunda-feira, 2 de agosto de 2010

As últimas horas do governo Jango

       A aliança entre os EUA, a política conservadora os estados de Minas Gerais, São Paulo e da Guanabara, além dos militares reacionários e do setor conservador da Igreja Católica, já tinha tornado a “revolução” como algo inevitável e necessário para livrar o Brasil da ameaça comunista eminente nas propostas das reformas de base do presidente Jango.
            O discurso de Jango no Automóvel clube foi a gota d’água para os setores tradicionalistas da sociedade se manifestarem, no discurso Jango falou: “ A crise que se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que abrirá à democracia pela integração de milhões de patrícios nossos.”[1]
Fica evidente o conflito ideológico implícito, sucessor político de Getúlio Vargas, petebista e com forte ligação com vários membros do PCB, tendo o mesmo o colocado na legalidade depois de anos de clandestinidade e, além disso, tendo gente desse mesmo partido ocupando a chefia de ministérios.
            Na noite do dia 31 março Jango estava no Rio de Janeiro e acordou com uma grande movimentação na cidade, as topas militares chegaram ao palácio da Guanabara para fazer a proteção do governador Carlos Lacerda, que ao ver as tropas chegando chorou de emoção ao ver que a ameaça comunista de Jango estava sendo expulsa do Brasil.
            É certo afirmar que o exército dormiu janguista e acordou revolucionário, muitos oficias que não tinham tomado partido nos últimos dias ficaram esperando o desenrolar dos fatos para poder tomar suas decisões, com o apoio não só moral mas também logístico dos EUA a revolução aconteceu um grande desenvolvimento do número de integrantes ao movimento revolucionário.
            A certeza era tão grande de uma eminente vitória que na noite anterior os generais, Golbery do Couto e Silva, Geisel e 
Costa e Silva  se encontravam reunidos em um apartamento no Rio para definir a nova forma de governar o Brasil e Castello Branco se encontrava em um aparelho no Rio de Janeiro, ciente da vitória e com a certeza de que seria o governante do país.
             Jango pegou um avião e saiu do Rio direto para Brasília onde esperava uma movimentação menor que fosse mais propícia para começar o jogo político com os partidos e com os militares, porém Brasília também estava impolvorosa, a única alternativa era ir para o Rio Grande do Sul, lá seria protegido por seu cunhado o Governador Leonel Brizola e estaria mais perto para uma possível fuga para o Uruguai, onde tinha muitas terras.
            O golpe foi inconstitucional, os EUA queriam depor o presidente Jango e colocar no seu lugar um presidente civil, segundo a constituição vigente quem deveria assumir o poder era o presidente da câmara Ranieri Mazzille, porém Mazzille só poderia assumir o cargo de presidente legalmente falando se o presidente viajasse para fora do país sem a autorização do congresso. Jango foi para o Uruguai dia 4 de abril, Mazzille tomou posse da madrugada do dia 31 para o dia 1, na surdina e com poucas pessoas.
            A esquerda ficou sem rumo, a campanha legalista de Brizola caiu por terra, nenhuma bala atirada e um país tomado, a população das grandes cidades comemorando os feitos da revolução e Castelo Branco pronto para assumir a presidência, era o início de uma nova era na história do Brasil, tenebrosa e maquinada pelo sistema por Deus, pela família e pela propriedade.



[1] O discurso de Goulart está em Alberto Dines e outros, Os idos de março e a queda em abril,PP.396-400

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Os cristãos-novos e a formação do povo pernambucano

     É de senso comum que a formação do povo pernambucano é a do homem branco português, do indígena e do escravo negro vindo da África, porém o que poucas pessoas sabem é que a partir do ano de 1542 houve um fluxo contínuo e crescente do número de judeus e de judeus convertidos a força (cristãos-novos) pelo poder da Igreja e da Santa Inquisição.


     Esse povo teria fugido da Espanha por ordem da Inquisição e com a sanção dos Reis Católicos, Isabel de Castela e Fernando de Aragão, e teriam migrado para Portugal aonde o regime de segregação étnica era menos rigoroso. A partir de do ano de 1542 a Santa Inquisição aperta o cerco e D. João III acata o pedido da Santa Inquisição e passa a distinguir judicialmente os cristãos-velhos, os cristãos-novos e os judeus, além da pequena parcela moura que vivia a ao sul de Portugal.

     Com essa decisão boa parte dos cristãos-novos que viviam em Portugal procuram uma rota alternativa de fuga para se livrar da Inquisição e o lugar escolhido foi o Brasil, principalmente as capitanias de Pernambuco e de Itamaracá.

     A partir daí os cristãos-novos adentram na vida política, social e econômica por meio de casamentos entre eles e os cristãos-velhos, que se tornara fácil essa miscigenação devido a escassez de mulheres brancas na capitania, sendo por tanto um fato cada vez mais comum o casamento de cristãos-velhos com cristãs-novas.

     A chegada dos holandeses em 1630 acentuou ainda mais o número de judeus propriamente ditos, que vieram de Amsterdã e ajudaram a formar a WIC, e aqui tiveram liberdade de culto, dada pelo Conde Maurício de Nassau, que durante sua gestão foi construída a primeira sinagoga das Américas.

     Com a expulsão dos Holandeses em 1654 os judeus partem de Pernambuco para colonizar uma região inóspita ao na América do norte, que ele chamaria Nova Amsterdã, e posteriormente seria conhecida e batizada por New York.

      Porém o sangue judeu permaneceu correndo nas veias dos pernambucanos, principalmente no sangue das famílias mais proeminentes da capitania, que esconderam esse passado de miscigenação, para se manter com uma certa opulência nobiliárquica, escondendo suas verdadeiras origens, principalmente nas investigações que o Santo ofício promoveu antes e depois dos holandeses.

     Portanto no sangue pernambucano tem também uma parcela judia, rejeitada por muitas pessoas, anteriormente, e hoje essa identidade está sendo revigorada, pelos estudos de José Antônio Gonsalves de Mello, In memorian, e de Evaldo Cabral de Mello, nos livros Gente da Nação e O nome e o Sangue.